Pessoas Deveras Importantes

segunda-feira, 31 de março de 2014

O maracá e o arrasta-pé

A pensar no contratempo que estragou o dia, com o corpo ensaboado, Elvino esfregou os calcanhares na pedra. De cócoras, com uma cuia escurecida pelo uso, livrou-se da espuma e depois mergulhou nas águas mansas da acanhada barragem. Reanimado pelo banho, foi ter na modesta cozinha da casa, vestindo um calção de sarja azul, descorado pelo uso. Comeu o pirão de leite com maxixe em silêncio e, nesse entretempo, a mãe comentou o desejo de arrendar outra parte das terras, haja vista a intenção do genro que era de se mudar para Monte Haurido. Sem pressa, como era usual, limpou os dentes, com rapa de juá. Trocado o calção pela cueca de morim, vestiu uma roupa de linho, limpa e engomada. Espargiu água-de-cheiro na barba recém-afeitada e na parte posterior do pescoço. Ao deixar a casa, pediu a bênção da mãe, como era hábito, e avisou de que era plano voltar depois que o galo cantasse.

O modorrento crepúsculo, que ensombrava o roçado de subsistência que a mãe, com a ajuda de Marcelino e Balduíno, tocava na parte mais plana do terreno, a oeste da casa, o encontrou nas botinas lustradas, pronto para vadiar. A esmagar as sarças, que se enredavam pela vereda, foi aparelhar o cavalo. A caminho do cercado apequenado, escutou, além das próprias pisadas, os grasnados agourentos dum caburé desgarrado, um crocito tão rouco que arrepiou o cabelo. Ao se juntarem na cabeça a lembrança do maracá da cascavel com o lutuoso piado, ocorreu-lhe a ideia de mau agouro. Com o credo na boca, benzeu-se três vezes e forçou o sentido noutra coisa, mas o pensamento parecia agir ao revés do desejo.


Chegou ao samba à boquinha da noite, quando o concertista debulhava com a mão calejada os pequenos botões do teclado do instrumento, e no compasso dum xote, a menear a cabeça seguia o movimento do pregueado do velho fole da concertina de oito baixos, que distendia e comprimia com mestria. O ritmista tocava um pandeiro, batendo no couro com gestos afetados e certas momices. Presumido, brandia as soalhas, sacudindo-as no ar dum modo cadenciado e triunfal. Sobrepondo-se ao arrastado dos chinelos, ouvia-se o estalo seco das alpercatas de rabichos, que batiam contra os calcanhares endurecidos dos dançadores, seguindo na forma de contraponto o compasso binário da melodia.

 (in Da Canga ao Cangaço: dias de serra e sertão, TAL Editora, São Paulo, 2012)
2012/2014 © Z.A. Feitosa, todos os direitos reservados

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Da canga ao cangaço: dias de serra e sertão


Com desvelado afeto, Z.A. Feitosa conta, nas 160 páginas que compõem “Da canga ao cangaço: dias de serra e sertão”, a história da mocidade dum herói muito particular, inspirando-se na vida de seu pai, Etelvino A. Feitosa, que completaria 100 anos de nascimento, oficialmente em 2008, ano em que concluiu a escritura desta obra.
Etelvino, que não recebeu em vida nenhuma insígnia honorífica, digna de nota, por sua vontade de luta, nem virou nome de praça ou placa de rua, se tornou um destemido soldado das forças armadas, depois de passar vários anos a serviço da violência do cangaço que reinava no semiárido cearense, vivendo em fuga e dormindo no mato para escapar das balas certeiras da polícia.
O livro trata da pequena saga desse sertanejo que no verdor dos anos, por força duma sina adversa, trocou o trabalho na lavoura canavieira, nos idos da década de 20, pelas armas e riscos do cangaço. Ao que parece, o destino de Etelvino firmou à revelia um pacto de sangue com a violência das armas, pois para escapar das perseguições aos cangaceiros, deflagradas pelas forças volantes, o protagonista viu-se obrigado a sentar praça no exército.
Assim, a poder das circunstâncias, foi que após anos de dedicação à crueldade do cangaço, do qual foi refém, encontrou na infantaria do exército a perfeita identidade para os desejos da alma, lutando nas revoluções de 1930 e 1932, defendendo com bravura, nas forças armadas, ideais que desconhecia.
O protagonista da obra, a exemplo de Etelvino, também ficou pouco tempo no exército, porque foi, como muitos, dispensado do serviço militar, terminado o grande confronto armado ocorrido em terras paulistas. Saído do quartel, voltou a ser um pacato homem do interior nordestino, mas guardou na alma o amargor do descaso e declarou, por toda a vida, a honra que sentiu ao formar fileiras no exército deste belo Brasil.
Entrelaçando fatos históricos e sobretudo memória afetiva, Z.A. Feitosa teceu uma ficção poética e regionalista, em páginas de rara beleza, que quase se pode ler de forma independente, através das quais reverenciou a figura do pai, dos cangaceiros e dos soldados, que no anonimato dos corações de seus descendentes são cultuados como heróis pelas lembranças de todos os dias.
Só compreenderá a devoção, a custo sofreada, das palavras que narram de forma singular a história do cangaceiro que virou soldado, quem tiver sentido um dia o gosto amargoso da saudade. Decerto se deixará envolver pelas emoções, que tingem esta obra com carinhosos matizes, quem deixa o amor vicejar no coração, porque este livro fala direto ao sentimento, o que acontece com toda declaração de amor filial.
 (in Da Canga ao Cangaço: dias de serra e sertão, TAL Editora, São Paulo, 2012)
2012 © Z.A. Feitosa, todos os direitos reservados

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O recanto do chofer

Não consigo dar-me conta do tempo exato que se passou, até minha família se mudar parcialmente para a pequena casa adjacente ao estabelecimento. Aquela casa era acanhada, mas tinha um terreiro muito grande, que servia de depósito a céu aberto para os tambores usados para transportar combustível.

Logo no primeiro instante, naquela nova morada, eu me senti fascinado pelo constante entra e sai de choferes e ajudantes na loja destinada ao comércio de autopeças e óleos lubrificantes. No pátio, parava no ar um cheiro de diesel e gasolina, mesclado com o suor dos cassacos, com destino ao povoado de Santa Bernadete, que eram transportados em montão nas carrocerias abertas dos caminhões de carregar terra.

O famoso Recanto do Chofer era um prédio grande e mal conservado que abrigava um modesto comércio de hotelaria de beira de estrada. Compreendia no todo: uma bomba de gasolina, uma edícula, um restaurante e um dormitório. Instalado nos fundos do salão onde serviam refeições avulsas, o dormitório abrigava duas dezenas de quartos ao longo de um estreito corredor, que acabava em quatro despojados banheiros coletivos.

Tínhamos o hábito, quando crianças, de nos dizermos senhores de tudo que víamos, mesmo de alguma coisa que não se podia tocar, como por exemplo, uma nuvem no céu. Quem primeiro gritasse: “aquilo é meu”, tornava-se possuidor da coisa avistada.

Assim que entrei no lavatório do hotel, avistei um gato rajado que se fez, no grito, minha propriedade. Eu achava que o gato fora abandonado pelos antigos moradores ou mesmo não quis acompanhar seus donos, pois como dizia minha mãe, os gatos são como as vitalinas, se afeiçoam mais pelas casas do que pelas pessoas.

Dávamos nome a todos os bichos que avistávamos, como fez Adão a mando de Deus, dando nome a todos os animais que passaram diante dele. Para assegurar meu domínio sobre o bichano, assim que pus as mãos no tal vira-lata tratei de batizá-lo e dei a ele o nome de Alpino, pois vivia nos muros caiados, caçando bribas. Afinal, quem dá o nome é quem tem poder sobre aquele que recebe o nome. É assim, desde a criação do mundo.

Naquele tempo, as crianças dormiam na sala. A minha rede ficava emparelhada com a do meu irmão, Minco. Eu tinha um caráter propenso a sentir medo.

Como se isso não bastasse, desenvolvera uma exacerbada sensibilidade para chorar. Eu me punha a soluçar sem qualquer motivo aparente. Muitas noites, quando minha alma acovardada por obscuros temores despertava-me com pesadelos, sob o domínio daquele pavor imaginário eu buscava consolo na rede do meu irmão.

(in O íntimo ofício: memórias, Scortecci, São Paulo, 2007)

2007/2011 © Z.A. Feitosa, todos os direitos reservados

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A Fazenda Mandassaia

Por muitos anos, ela reinou absoluta naquelas centenas de léguas, como senhora da chamada Fazenda Mandassaia, como passou a ser chamada a Fazenda Nova Lisboa pelos vizinhos, no período em que o senhor, acamado pela idade e pelas doenças senis, transferiu para a amásia o bastão do poder.

Com a morte do senhorio da fazenda, entretanto, todos os bens lhe foram tomados pelas autoridades da localidade, inclusive a fazenda, sob a alegação de que os bens deixados pelo falecido eram por direito dos filhos legítimos que estavam em Portugal. Sob essa razão aparente, os membros da família Souza tomaram conta de tudo, chegando ao absurdo de apresentar documento de posse feito por oficial público.

Da noite para o dia ela se viu expulsa daqueles sertões que respeitaram por anos a sua autoridade e se encantaram com sua brejeirice. Sem escolha nem apoio, antes do romper do dia, juntou as filhas moças e os poucos bens pessoais que lhe foram presenteados nos anos de concubinato, sobre os quais ainda exercia livre disponibilidade.

Com a ajuda de agregados carregou os burros cedidos por moradores agradecidos e partiu sem derramar uma lágrima, nem sequer um suspiro. Na posse dos poucos pertences que escaparam à pilhagem, foi viver de favor na fazendola de Neco, o seu filho mais velho, que era casado com uma viúva de pouca beleza, mas de bom cabedal.

Foi lá que minha avó Mercês, uma das filhas mais novas conheceu um sitiante chamado Raimundo, aquele com quem se casaria dentro de poucos meses. Depois de casada, minha avó Mercês foi morar nas terras que meu avô possuía na ribeira, onde nasceram todos os filhos daquele casamento. Foi nesse lugar que minha mãe viveu desde os tempos de menina. Só saiu de lá, moça feita, quando fugiu para se casar com meu pai.

Minha mãe tampouco sentou num banco de escola. A instrução que tinha era rudimentar, não passava do bê-á-bá. Mal sabia desenhar o próprio nome, o que aprendeu para se tornar eleitora, por influência de dona Mimosa. Pabulava-se, porém, em sua disposição para trabalhar.

Buchuda de seu caçula, já no final do oitavo mês, trabalhava o dia inteiro na beira do fogão de lenha do hotel e ainda encontrava ânimo para costurar roupas de carregação. Para não faltar com seus compromissos, mesmo depois que os geradores de luz eram desligados, seguia costurando.

Tinha como companhia apenas um candeeiro de querosene que ela, para melhorar a iluminação, puxava a mecha de algodão usada como pavio. Meu pai fechava o hotel, tomava banho, jantava e saia para jogar sueca. Muitas vezes ficava jogando até tarde, só voltava com o cantar do galo.

(in O íntimo ofício: memórias, Scortecci, São Paulo, 2007)

2007/2010 © Z.A. Feitosa, todos os direitos reservados

quarta-feira, 5 de maio de 2010

El desagravio


(in Mulher Macho, sim, senhor!, Ed. Cortez,

São Paulo, 1980 - Traduzido para o Castelhano

por R.C. Valenzuela)

¿Qué temía mi padre o de qué estaba él queriendo librar a su prole?

Procuré olvidar todo aquello, apelando para mi mundito de fantasías y escondiéndome en el mofumbal de mi imaginación.

Escogería mi propio destino y de este modo triunfaría sobre aquel padre prohibidor y violento. Ya había decidido. No me casaría, no tendría hijos tampoco. Estaba decidido. No me daría el derecho de parirlos. Sería un gran dolor, mas dejaría la oportunidad de mi sueño femenino. Sería indiferente a los gritos de mi cuerpo y me volvería monja o haría cualquier cosa, en tanto que yo me viese libre del convivio infernal de un macho bestializado que, sintiéndose mi dueño y señor, transformase mi vida en un purgatorio.

Yo no tendría el mismo destino de las mujeres que conocía. No iría a cuidar por toda la vida de un macho violento, a cambio de comida o de migajas de afecto. No sería como todas, el cuero para pisar tabaco de un macho tabaquista que sabía solamente preñarlas, zurrar a los hijos y culparlas por los desvíos de los hijos.

¿Qué sabe el hombre de ser madre?

Ningún hombre podrá tener la noción exacta de lo que es tener un hijo. Sólo quien pasa nueve meses con un embrión en la barriga puede establecer alguna relación con un ser y desarrollar la sensibilidad para cuidar de un hijo, disposición para amar y condolese por él, susceptibilidad para percibir las peculiaridades y reaccionar a ellas de manera adecuada.

Por ningún dinero del mundo, me sujetaría, como mi madre, a los caprichos de un macho. Y haría todo para no darme en alquiler o dejarme tomar en alquiler por cualquier hombre en la faz de la tierra a cambio de un poco de seguridad.

Trabajaría en cualquier cosa, mas no me transformaría en el tipo de meretriz que se tornó Luzinete. Satisfacía al macho en todo, por un plato de comida y por un techo. Sin contar que él la zurraba siempre que le daba la gana, alegando celos. ¿Celos? ¿De una mujer de vida galante como Luzinete? Una mujer gorda y fea, siempre sucia y mal vestida que no me parecía capaz de provocar deseos tan ardientes en los hombres, para que mereciese ser punida por el marido celoso. Los celos, para mí, eran una disculpa que él creaba para golpear en aquel saco de papas podrido amarrado por la cintura, en que se convirtió Luzinete después que se casó y paró el primer hijo. A mi parecer, Luzinete era, tan solamente, la persona sobre quien él hacía recaer sus fracasos o a quien eran imputados todos los reveses de su vida de hombre bien parecido, que se casó con la hija abandonada del patrón, para subir en la vida; su vaca expiatoria.

1980/2010 © Z.A. Feitosa, todos os direitos reservados

sábado, 27 de fevereiro de 2010

A doce vida de concubina


(in O íntimo ofício: memórias, Scortecci, São Paulo, 2007)


Eis senão que um dia Alvinópolis viu-se convidada a testemunhar uma notória gravidez fora de um casamento. Francisca, adiantada em anos, apaixonou-se por Sizenone, para quem ministrava aulas particulares, uma vez que ele havia sido reprovado por anos seguidos na primeira série ginasial. Sizenone, 12 anos mais novo do que Francisca, além de ser conhecido como o filho de um grande negociante de tecidos do povoado, ficou marcado no local por suas limitações intelectuais.

Ninguém soube como surgiu aquele namoro, o certo é que Francisca acabou num amancebamento com Sizenone, diante da impossibilidade de concretizar de outra maneira essa união que contava com muitas desigualdades. O concubinato, ao contrário do que se pode pensar, era um forte traço cultural na região desde a chegada dos primeiros portugueses e um comportamento muito arraigado em Alvinópolis, ainda que fosse condenado pela igreja, que não aceitava aquele tipo de relação. Não era considerado, todavia, como uma forma legítima de união, sendo apontados como pecadores aqueles que viviam maritalmente sem serem casados.

O estado em que ambos viviam era do conhecimento de todos. Aquela ligação acontecia debaixo dos olhos da mãe e do pai dela, que faziam vistas grossas para o envolvimento amoroso de Francisca com o filho de Penhor, mas apenas se inteiraram de que ela estava prenhe, no dia em que Francisca foi acometida por uma indisposição estomacal. Levada, às pressas, ao Hospital Regional, foi atendida pelo médico de plantão, que não teve dificuldade para diagnosticar o que, aos olhos dos pais dela, parecia ser doença.

- Esse tipo de enjôo acontece com muitas mulheres em estado de gravidez, mas procure um médico para fazer acompanhamento da gestação, pois na sua idade ter filho envolve alguns riscos. (Disse-lhe o médico, na presença de sua mãe, desconhecendo o segredo que envolvia a questão).

O assunto, caindo no ouvido de dona Severina, que nunca soube guardar as conveniências, foi bater no ouvido das beatas, em forma de desabafo. As beatas não perderam tempo. Movidas pelo ressentimento, que despertou com fúria nos corações daquelas desfeiteadas, as beatas saíram de porta em porta espalhando a notícia do acontecido. Contavam, de casa em casa, fazendo questão de frisar que Francisca, uma balzaquiana, depois de andar às voltas com todos os homens do povoado, acabara se deitando com o filho de Penhor de quem ficou prenhe, na expectativa de arrumar um marido e se limpar de seu passado de mulher sem honra, aproveitando-se da leseira do rapaz, pois Sizenone não era o que se costuma chamar de pessoa inteligente.

- Armou-lhe uma arapuca e o brocoió caiu como um passarinho. (Arrematava a beata Tozinha, com sua voz rouca que semelhava o grasnar do pato).


2007/2010 © Z.A. Feitosa, todos os direitos reservados

domingo, 31 de janeiro de 2010

Entrevista a Z.A. Feitosa (por Ángel Brichs)



"Iniciamos nuestro nuevo recorrido de entrevistas en la sección ODISE@S de LITERATURA DEL MAÑANA con un hombre muy particular, Z.A. Feitosa, seudónimo que responde al nombre del célebre poeta y narrador brasileño Zeilton Alves Feitosa, nacido el 1952 en Marizópolis, Brasil. Después de una serie de conversaciones con él, ha decidido aceptar nuestra invitación y entrar a formar parte de una serie de personajes singulares que, igual como él, irán circulando por las e-pages de este blog para iluminarnos con sus conocimientos y vivencias personales." Leer más en http://literaturadart.blogspot.com/2009/10/entrevista-zeilton-alves-feitosa-por.html

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Literatura brasileña en estado puro - Angel Brichs


"La literatura brasileña es poco conocida en el mundo literario internacional, mas hay autores que, lejos de encallarse en el anonimato, se deben mostrar al público. No nos los podemos perder. Feitosa es uno de ellos. Hace un tiempo tuvimos la suerte de leerlo en esta página, merced a una entrevista que le publicamos, algo por lo que fue muy apreciado en LITERATURA DEL MAÑANA tanto por los lectores como por la redacción misma de este sitio web. Mas el célebre autor brasileño no deparó en gastos y, para mostrarnos su gratitud y trabajo realizado, nos regaló dos libros, "Borboleta em Cinza" y "O íntimo ofício", los cuales nos envió desde Brasil. Cuando fuimos a recoger el paquete en la oficina de Correos y vimos el remitente, nos sentimos hondamente honrados. Sabíamos que habíamos hecho un amigo, y eso es muy dificil hoy en día. Mas Feitosa no es el único autor del que recibimos cada semana ejemplares y ejemplares de libros para que les publiquemos nuestras reseñas. Y, ¿cuál es nuestra solución al problema de espacio? Tan solo pagar la literatura con literatura. ¿Y por qué no hacerosla ostensibles a todos en este sitio que, día a día, gana nuevos lectores de diversas nacionalidades y seguidores continuamente, sitio por el cual nos hemos conocido? Así pues, hoy hemos tenido la delicadeza de criticar las obras de este autor. Y no porque él nos lo haya pedido, sino porque creemos que disponen de la calidad necesaria para ser comentados aquí. De este modo, hemos preferido, en lugar de publicarse por separado, hacer la crítica en conjunto, separando la novela del poemario, como veremos a continuación"(...) LEER MÁS en http://literaturadart.blogspot.com/2009/12/zeilton-alves-feitosa-literatura.html

Post del blog escrito por Angel Brichs: Crítica de un poemario y una novela del autor brasileño Zeilton Alves Feitosa, publicadas en LITERATURA DEL MAÑANA.
Enlace:http://literaturadart.blogspot.com/2009/12/zeilton-alves-feitosa-literatura.html

domingo, 25 de outubro de 2009

Poesía Melindrosa y Llorona


(in Asas Queimadas: suíte, Edição do Autor, São Paulo, 1981 - Traduzido para o castelhano por R.C. Valenzuela)



Antonio Callado, en un pequeño ensayo a respecto del hombre brasileño, recurre a un paisaje de Don Casmurro para cuestionar una eventual incapacidad nacional para demostraciones trágicas. Pero la descripción de Machado de Assis - "Las lágrimas, si las tiene, son enjugadas atrás de la puerta, para que las caras aparezcan limpias y serenas; los discursos son antes de alegría que de melancolía, y todo se pasa como si Aquiles no matase a Hector" - es luego deshecha, a nivel real, por el propio Callado, que invoca sus experiencias de antigüo reportero para afirmar que, de hecho, el país "está lleno de gente que no llora atrás de ninguna puerta, pero a la luz del sol"; pare él, la visión del autor de El Alienista alcanza apenas un pequeño número de brasileños, una élite.

De algun modo, el llanto - fácil, raras veces trágico - es una manifestación de sentimiento común al brasileño. Las lágrimas deslizaban en centenas de rostros por una conquista en el futbol o un ídolo de esos concebidos en departamentos de marketing de emisoras de televisión. Por el sol, que trae la sequía; por el frío que devasta con las heladas. Por Dios y por el Diablo. Se llora, por todo, en un amplio sentido. Hasta mismo por ocurrencias distantes como la escena del Papa Juan Pablo Segundo bañado en sangre, después de los disparos de la Plaza de San Pedro. Las lágrimas nacionales ignoran geografía: la caída de un avión, el incendio de un gran edificio, una dolencia que diezma adultos y niños - ni que todo acontezca más allá de Paquistán. Es así, regla general; y en particular, no es diferente. En la poesía brasileña, por ejemplo, se instaló un movimiento en la primera mitad del siglo pasado con evidentes señales - digamos -lagrimales. El romanticismo, sin duda, fue marcado por el rompimiento con la escuela inmediatamente anterior - el clasicismo -, utilizando recursos de lenguaje menos rebuscados y más populares. La creación de un mundo irreal, a partir del individualismo y del subjetivismo de los poetas románticos, indicó, al mismo tiempo, una profunda insatisfacción - de resto, expresada bajo varios ángulos y temáticas. Mismo las características del romanticismo portugués, surgido poco antes, no son totalmente idénticas las del romanticismo brasileño. En fin, lo que interesa, sobretodo, es la postura de nuestros poetas románticos, notadamente aquellos de la llamada segunda generación, delante del amor. Manuel Bandeira observa una "cierta dulzura melindrosa y llorona, bien brasileña mejor dicho, y tan indiscretamente sensible en el lirismo amoroso de los románticos", en su obra Presentación de la Poesía Brasileña. En este caso, el amor es exhaltado y sobrepuesto a los demás sentimientos, en base de una idealización y un énfasis lírico atados a aspectos personales. De ahí, la excesiva preocupación con el "Yo", en una sucesión de los posesivos de primera persona. La mujer romántica, pura e inalcanzable, ni siquiera es encontrada en los brazos de nuestros poetas románticos, excepto Castro Alves. No hay, como notó Bandeira, un concepción realista de la relación entre los sexos. Alvares de Azevedo, el formidable autor de Lira de los Veinte Años, prefirió, entre otros escapismos, mirar a su amada durante el sueño, como en este trecho:

No te levantes tan temprano! en cuanto duermes

Yo puedo darte besos en secreto...

Pero cuando en tus ojos raya la vida,

no oso mirarte...yo tengo miedo!

El miedo, mejor dicho, fue común. Miedo, en la dimensión dada por Mario de Andrade, esto es - como realización sexual. En verdad sólamente Castro Alves, entre los románticos, traspasó la experiencia erótica imaginaria y alcanzó la plenitud sentimental y carnal. La mujer romántica en Castro Alves pierde, definitivamente su aurea inmaculada. Como en estos bellos versos:

Ah! fuera bello unidos en segredos,

Juntos, bien juntos...temblando de miedo,

De quien entra en el cielo,

Deshacer tus cabellos delirante,

Besar tu regazo!...Oh! vamos, mi amante,

Ábreme el seno tuyo.

Yo quiero tu mirada de aureos fulgores,

Ver desmayar en la fiebre de los amores,

Clavados...clavados en mí.

Yo quiero ver tu pecho entumecido

al soplo de la voluptuosidad jadear seguido...

...Ven! Seré tu poeta, tu amante...

Vamos a soñar en el lecho delirante

En el templo de la pasión.

Ese cuadro sirve, de todo modo, para facilitar algunas hipótesis a ser levantadas a propósito de este libro de poesías de Z. A. Feitosa, que representa su estreno en el género. Impresionan, sobre todo, las innumerables connotaciones de la obra con la poesóa producida a lo largo del periodo romántico brasileño, principalmente la llamada segunda generación.

Z. A. Feitosa, como ejemplo de los románticos, elige una musa intocable, angelical, que él llama de "mi ángel". Su mujer romántica posee "cuerpo adolescente y aire infantil", a punto de, en los devaneos lírios, ser imaginada flutuando en sus "guantes de luna". Es la amada distante, en lugar incierto tanto cuanto los reales sentimientos de ella con relación a él. Entre lamentos y alabanzas, el poeta construye un pedestal en que eleva a su musa, asumiendo, ahí, una postura igual a la de los trovadores mendievales en sus cantigas de amor. Eso, no entanto, está apenas implícito en la obra - por lo, inalcanzable, al contrario, por ejemplo, del poeta portugués de la tercera generación romántica, Juan de Dios, para quien la mujer amada era una "reina". Como en el poema "Encanto":

Pasabas como reina

Y yo, andaba como muerto,

Parece que me sostenía

En el aire en éxtasis, absorto

Es ella, decía yo,

Mi estrella del cielo!

La actitud de sujeción a los pies (dígase, distantes) de la amada, es otro trazo común y marcante en la poesía de Z. A. Feitosa. Juan de Dios "andaba como muerto", en cuanto el poeta de "Tango Del Escapulario" vive un "extraño amor que se hace de desencuentros "y proclama inapetencia para proseguir solito" - "yo no me quedo dentro de mí", él dice. Y revela: "Yo no me amo más".

En el libro, dividido en siete partea tituladas sugestivamente - Ouverture, Marcha en reversa, Danza por Profesión, Tango Del Escapulario, Vals Sensual, Nocturne y Finale, Z. A. Feitosa derrocha otro recurso de los románticos, o sea, la apropiación de la "naturaleza muerta" como fuente de la imaginación. De esa forma, la nuna, la estrella, el cielo, el azul son repeticiones frecuentes. Un recurso, sin duda, qu proporciona, otra vez, lo inalcanzable - imágenes, fijas a lo lejos o en el infinito. Como en "Ouverture":

Hay una estrella

perdida en un cielo de invierno;

yo estoy solito.

Así, también, aparecen los fenómenos naturales en movimiento, como el viento, el relámpago, las nubes y la tempestad - casi siempre en los breves momentos de éxtasis imaginario. Y sim embargo confiese, a cierta altura, un "amor prohibido y profano", Z. A. Feitosa hace emerger de su poesía más una característica romántica fundamental, la religiosidad o una actitud sentimental mística. En variso instantes, ese aspecto está nítido. En "Marcha en reversa" hay un ejemplo, con tonalidades eróticas:

Nuestros cuerpos entrelazados

Danzan un minueto sagrado, la sagrada danza del coito.

El poeta aún desnuda un profundo sentimiento de dominio, obsesivo y carnal, algunas veces. Habla en "amor vivo y violante" y deja saber de su satisfacción si pudiese "sentir tu cuerpo contorcionándose debajo del mío". Y revela que, sin esa sensación de posesión, que insinúa el dominio total de la compañera en el acto sexual, por eso claramente machista - queda más difícil gustar de ella.

Intentaré gustarte

Siempre de esta manera,

con la certeza de que no tengo posesión...

Con respecto del sexo, como realización carnal, vale señalar aún que raras veces, en todo el libro, él aparece como hecho consumado. Apesar del inconformismo, que rasga del primero al último verso de Z. A. Feitosa, la contemplación platónica es inapartable. Él imagina, ve y quiere, pero acaba siempre perdido dentro de su propio contorcionismo - admisible mismo como una forma de búsqueda -, asistiendo la amada "aprofundando por el elevador cansado". El erotismo contenido de Z. A. Feitosa, de cualquier forma, alza vuelos considerables, como en "Vals Sensual":

...arqueas lascivamente y gimes

al peso de mi cuerpo ansioso

que se extiende sobre el tuyo,

que se entraña en este tu ser en cuerpo...

El estilo de Z. A. Feitosa, por su vez, apela para la redundancia, lo que, en verdad, muchas veces no se constituye en un abuso de lo superfluo, mas en una necesidad del poeta em reforzar una expresión, ser convincente, como ya indicó Péricles Eugênio da Silva Ramos en estudio para los "Poemas de Claudio Manuel da Costa". El poeta de "Danza por Profesión" utiliza, y bien, las aliteraciones - "...ritual pagãomente paulatino". Hay, también, la fluencia, pero ni siempre, de cierta musicalidad y la repetición insistente de algunas palabras, como mano, que impone, a nivel temático, otras consideraciones. En "Tango Del Escapulario", poema en que él amenaza un rondó, está presente una solitaria actitud de osadía, cuando Z. A. Feitosa crea onomatopeyas:

Uñungue...trungue!

El engranaje traga la ceñida pieza

adecuado artefacto que pone a respirar

ruidosamente el quemane instrumento...

En uno de los trechos de "Marcha en reversa", el poeta demuestra que, en el fondo no se considera un romántico autenticamente:

Quiero hasta enternecerme,

parecer romántico

escribirte un poema de amor.

Entre tanto, al contrario de lo que él supone, y por lo que comprueban los 49 poemas de este libro, escencialmente del amor perdido, Z. A. Feitosa es un poeta romántico. Evidentemente, a los 100 años del fin de esa corriente literaria en Brasil como manifestación avanzada y moderna, mas, por eso mismo, sin demérito por causa de un dato únicamente cronológico. La cualidad de su obra literaria, o de arte, no depende de tiempo y escuelas. Vale por ella. Sería estimulante saber que Z. A. Feitosa proseguiría en esa línea, perfeccionando su trabajo, deshilando y por qué no?, hasta mismo desafinando su lira por una musa "de cuerpo tierno, con aroma de incienso y aliento de menta". Como , por último, ya hacían los trovadores medievales.


MARCOS BARRERO

Assis, agosto de 1981


1981/2009 © Z.A. Feitosa, todos os direitos reservados