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sábado, 25 de abril de 2009

Os cânticos profanos de "Borboleta em Cinza" de Z.A. Feitosa


"A poética do amor que flagela e revigora, nos versos com forte acento sensual de Z.A. Feitosa".

Ainda que pese a expressão usada pelo poeta para designar a poesia de 'Borboleta em Cinza', pela preferência por assuntos ligados ao amor erótico, os poemas do livro têm pouco em comum com a lírica ou a temática das composições poéticas que relatam o diálogo do homem com um deus.

Sem pretender que existam intenções que se ocultam, o autor elegeu um ser espiritual como causa ativa desse amor que é gemido ou, até mesmo, soluçado em versos de estranha poética, cuja plasticidade das metáforas figura-se, às vezes, desconcertante nas páginas de 'Borboleta em Cinza'.

Há originalidade na forma como Z.A. Feitosa reinventou a beleza dos cânticos, que prestam o culto a um deus, para narrar os sentimentos nascidos da intimidade com um ser angélico, nutrindo-se, principalmente, das características extravagantes e instintivas desses poemas místicos; e concentrando-se, todavia, no lirismo amoroso para criar os poemas que nomeou salmos profanos.

O amor na expressão do erotismo particular de Z.A. Feitosa tem certa religiosidade, o que pode revelar uma estranha crença no amor que flagela e revigora. A submissão do ser ao anjo, que impõe sua vontade, transforma o amor, de que fala o poeta, numa experiência mística. O autor de 'Borboleta em Cinza', que buscou nos salmos inspiração para sua poesia, parece ter mergulhado nas profundezas dos textos canônicos à procura do poder redentor do amor.

Z.A. Feitosa abusou, intencionalmente, da presença de certas expressões e do tom clamoroso dos salmos, assim como das formas poéticas que lhes são comuns, usando com acerto o manar do pensamento e das palavras de caráter canônico para construir poemas intensos, através dos quais o poeta relata as vivências de caráter erótico, experienciadas por um ser humano na presença desse anjo, que é uma espécie de fonte de prazer e dor.

O amor na poesia romântica de 'Borboleta em Cinza', porém, não é tratado como mera idealização, estando envolto numa densa aura de natureza erótica, que dá a totalidade de sua obra. Assume, portanto, um ar de consumação. É como se o poeta transformasse em experimento poético as experiências amorosas ou as próprias obsessões românticas, que marcaram sua vida.

Ao tratar como situações místicas o amor silencioso, que os corações gestam no aconchego da solidão, Z.A. Feitosa acabou por cunhar belos poemas. Não só pelo adequado emprego de técnicas poéticas, mas por ter sido capaz de plasmar, poeticamente, o sentimento de tristeza que veste com seus entardeceres a alma do ser humano que se descobre apaixonado por um anjo.

Assim, não é por acaso que a poesia de 'Borboleta em Cinza' ajuda a perceber porque o amor, quando é tão diverso, como esse amor de que fala o poeta, de modo geral, toca a incompreensão, sobretudo, se atrevidamente deixa o escondedouro de um coração e se converte em experiência na luz fria da manhã.

É, no mínimo, destemido o uso que o autor faz de sua inspiração e ninguém pode negar a força de sua imaginação, convertida em criatividade, a qual sobressai em todos os poemas do livro. Aliás, imaginação criadora é o diferencial da obra de Z.A. Feitosa, um escritor dotado da rara capacidade de criar textos, agradáveis aos sentidos, mediante a combinação de palavras comuns e idéias sabidas de todos.

Pode-se afirmar que Z.A. Feitosa criou, em 'Borboleta em Cinza', uma poesia de raro erotismo, que toca profundamente quem lê. E, embora alguns poemas pareçam licenciosos, é indiscutível a beleza que o leitor saboreia ao se apossar dos sentimentos que transbordam em cada um dos poemas.

É o fato de Z.A. Feitosa celebrar sem vergonha o amor erótico, assim como a linguagem e o vocabulário emprestados dos cânticos místicos, que torna deveras interessante a lírica embriagante dos salmos profanos, que compõem seu novo livro, publicado com o apoio cultural da 'Casa Pai Joaquim de Aruanda'.

Por suposto, será estimulante saber que a leitura os salmos profanos de 'Borboleta em Cinza' motivou pelo menos uma pessoa a expressar, dentro da multiplicidade de experiências que o amor oferece ao ser humano, seu afeto mais verdadeiro.

Serviço:
Borboleta em Cinza: salmos profanos - Z.A. Feitosa
Scortecci Editora
ISBN 978-85-366-1096-2
Formato 14 x 21 cm - 120 páginas
Poesia - 1ª Edição - Ano 2008
Site do autor:
http://www.feitosa.net
Fonte: Casa Pai Joaquim de Aruanda - CPJA
2006/2009 © Z.A. Feitosa, todos os direitos reservados

A literatura de memórias de "O Íntimo Ofício"


"Uma nova obra de Z.A. Feitosa, fortemente marcada pela combinação rara de lirismo e sexo".

"O Íntimo Ofício" traz à luz despudoradas impressões da experiência amorosa e sexual na adolescência, transformada em ficção. Em alguns trechos, a obra lembra de perto, pelo tom erótico e lírico, alguma coisa entre D. H. Lawrence e Henry Miller, que rompeu com os cânones clássicos de seu tempo no afã de expressar sua liberdade e de captar as transformações morais, que permeavam todos os campos.Z.A. Feitosa retoma, em "O Íntimo Ofício", muitos temas desenvolvidos, até de forma mais crua, em seus livros anteriores, mas incorpora à sua narrativa novos elementos de caráter estético, reforçando e culminando a máxima de que "a Imaginação é a voz do atrevimento", expressão cunhada por Henry Miller, falecido em 1980, ano em que o autor lançou sua primeira obra.

Tem-se a impressão que Z.A. Feitosa, obstinado pela matéria das lembranças, abusa da liberdade de expressão, transformando a recordação dos desejos da juventude, em literatura das memórias. Magistralmente, resgata em "O Íntimo Ofício" a riqueza da linguagem paraibana, já utilizada em outras obras. Aliás, em "Mulher Macho, Sim, Senhor!" o autor apresentou os felizes esboços desse estilo que melhor se delineou em alguns contos da coletânea "Algolagnia".

Z.A. Feitosa se deixou falar como personagem de seu próprio livro ou falou como autor situando suas lembranças agora, quando o tempo está longe e o Nordeste talvez seja apenas um ponto de referências, onde ele vai em busca de sua origem?, como assinalou o escritor e jornalista Álvares Alves de Faria no prefácio de "Mulher Macho, Sim, Senhor!".

A obra é narrada na primeira pessoa, e talvez por isso mesmo, tenha uma forte conotação de memorial. É como se o personagem central, por um fluxo de consciência, trouxesse para o presente um passado distante, porém enraizado, que foi recuperado por um pesaroso exercício de memória de quem foi sua testemunha.

É curioso encontrar no texto o predomínio de palavras que se encaixam perfeitamente em uma reflexão ensaísta, mas que dão à escrita um tom inesperado, pela forma de emprego que recebem. Esses termos lembram, mesmo, o tom de relatório, criando uma escrita que não se situa, perfeitamente, nem na reportagem nem na narrativa nem, tampouco, na crônica, como assinalou o jornalista e artista plástico Carlos Eduardo Scaranci.

Z.A. Feitosa, além de freqüentar o curso de Comunicação Social, mais precisamente Jornalismo Brasileiro e Comparado, é graduado em Administração de Empresas e Ciências Contábeis. Daí não é de se estranhar que a estética de sua obra assuma uma feição tão peculiar.

Z.A. Feitosa consegue, em "O Íntimo Ofício", uma feliz fusão entre a linguagem infantil, da personagem central em sua infância, com a linguagem madura das recordações da mesma personagem, enquanto narradora de sua vida. A mescla obtida, que passa pelo prisma de um e outro tom, dá certa vivacidade ao texto e não permite que se torne linear ou cansativo.

Às vezes, tem-se a sensação de certo imediatismo na composição da obra, mas esse aparente desleixo na tecedura das frases vai se contrastar frontalmente com o certo ritmo da narrativa. Essa particularidade faz com que a escrita de Z.A. Feitosa pareça desigual, mas atraente ao mesmo tempo.

Z.A. Feitosa não se enquadra, facilmente, dentro dos parâmetros da história da literatura brasileira. Até parece que ele traçou, de certo modo, um percurso próprio, caminhando à margem de grupos ou movimentos literários. Todavia, devido à preocupação onisciente da primeira pessoa de transmitir sua impressão mais precisa da personalidade das personagens e de seu contexto social, o livro se aproxima da escola realista literária.

A qualidade de uma obra literária, ou de arte, independe de tempo e escolas. Vale por ela. Seria estimulante saber que Z.A. Feitosa prosseguiria nessa linha, aperfeiçoando seu trabalho, desfiando e, por que não?, até mesmo desafinando sua lira, como sugeriu o jornalista e professor Marcos Barrero, no prefácio da obra "Asas Queimadas".

Publicado no final de 2007, graças ao apoio da Casa Pai Joaquim de Aruanda - CPJA, o livro versa, em suma, sobre impressões da experiência amorosa e sexual, bem como intenta sensibilizar e, sobretudo, estimular o respeito às diferenças e à dignidade da pessoa humana, independente da orientação sexual ou crença religiosa.

A propósito, a CPJA - entidade, fundada em 1977, que professa a fé umbandista - tem como objetivo proporcionar auxílio espiritual, bem como apoiar a publicação de obras que tratam da alma humana e do seu relacionamento com o universo místico, reconhecendo, assim, a importância da dimensão humano no trabalho que se pretende espiritual.

Cabe ressaltar que, ao voltar-se para essa nova frente, que é a co-produção editorial, a Casa Pai Joaquim de Aruanda se tornou, ainda que modestamente, um ponto irradiador de idéias e de promoção do ser humano, por meio do seu apoio ao fazer artístico, pois financia, parcial ou integralmente, os projetos literários, voltados para a promoção e propagação do bem.

Serviços
O íntimo ofício: memórias - Z.A. Feitosa
ISBN 978-85-366-0915-7
Scortecci Editora
Formato 14 x 21 cm - 296 páginas
1ª Edição - Ano 2007
Projeto gráfico: Hiroaki Feitosa
Site do autor: http://www.feitosa.net
Fonte: Casa Pai Joaquim de Aruanda - CPJA
2006/2009 © Z.A. Feitosa, todos os direitos reservados

domingo, 6 de maio de 2007

Z.A. Feitosa - sobre o escritor

Há quem se recorde de Z.A. Feitosa, um dos muitos escritores que emprestaram finura e ousadia aos contos eróticos, que foram publicados em revistas de grande circulação no início da década de 80.

Foram textos escritos sem maiores pretensões, em verdade ao largo de interesses editoriais, preocupados apenas com a distração dos sentidos, mas que surpreendiam o leitor pelo poder de imaginação. Tanto que o melhor de Z.A. Feitosa é, sem dúvida, o seu lado imaginoso.

Sua obra ficou marcada pela combinação rara de lirismo e sexo, que pontificou os seus escritos. Ele soube, como alguns poucos, tratar com largueza os mais diversos temas relacionados ao sexo.

Não é sem motivo, que o seu nome enquanto escritor, cuja produção literária esteve, por muito tempo, voltada para essa classe de revista, ficou intimamente ligado ao subgênero literário chamado de literatura erótica.

Z.A. Feitosa conseguiu, graças ao extraordinário dom de captar sentimentos, criar alguns textos de grande sensibilidade, que, temperados pelo regionalismo e pelas metáforas incomuns, transcenderam das limitações e interinidades das revistas.

Dono de um estilo ímpar, ora recorreu à secura dos ensaios ora à brandura do romantismo para contar, eroticamente, suas histórias ou tecer, de forma lasciva, sua poesia, mas sempre fez da efusão do desejo sexual o mais autêntico meio de expressão dos sentimentos mais íntimos.

É fato que grande parte de sua produção literária só faz sentido dentro do contexto das revistas com apelo erótico, mas isso não diminui o caráter irreverente e gracioso de sua pouco extensa obra, que chegou a merecer alguns louvores naqueles dias.

A despeito do relativo êxito que seus escritos alcançaram naqueles tempos, cioso de sua intimidade, Z.A. Feitosa se apartou involuntariamente das letras em junho de 1984, voltando-se exclusivamente para o universo dessensibilizante dos números.

Ao retomar, por meio deste portal, aquela obra, que foi prematuramente interrompida pelas circunstâncias da vida, Z.A. Feitosa rompe artisticamente o injusto silêncio, que lhe foi imposto, por cerca de 22 anos.


Site do autor: http://www.feitosa.net
2006/2009 © Z.A. Feitosa, todos os direitos reservados