Pessoas Deveras Importantes

sábado, 25 de abril de 2009

A literatura de memórias de "O Íntimo Ofício"


"Uma nova obra de Z.A. Feitosa, fortemente marcada pela combinação rara de lirismo e sexo".

"O Íntimo Ofício" traz à luz despudoradas impressões da experiência amorosa e sexual na adolescência, transformada em ficção. Em alguns trechos, a obra lembra de perto, pelo tom erótico e lírico, alguma coisa entre D. H. Lawrence e Henry Miller, que rompeu com os cânones clássicos de seu tempo no afã de expressar sua liberdade e de captar as transformações morais, que permeavam todos os campos.Z.A. Feitosa retoma, em "O Íntimo Ofício", muitos temas desenvolvidos, até de forma mais crua, em seus livros anteriores, mas incorpora à sua narrativa novos elementos de caráter estético, reforçando e culminando a máxima de que "a Imaginação é a voz do atrevimento", expressão cunhada por Henry Miller, falecido em 1980, ano em que o autor lançou sua primeira obra.

Tem-se a impressão que Z.A. Feitosa, obstinado pela matéria das lembranças, abusa da liberdade de expressão, transformando a recordação dos desejos da juventude, em literatura das memórias. Magistralmente, resgata em "O Íntimo Ofício" a riqueza da linguagem paraibana, já utilizada em outras obras. Aliás, em "Mulher Macho, Sim, Senhor!" o autor apresentou os felizes esboços desse estilo que melhor se delineou em alguns contos da coletânea "Algolagnia".

Z.A. Feitosa se deixou falar como personagem de seu próprio livro ou falou como autor situando suas lembranças agora, quando o tempo está longe e o Nordeste talvez seja apenas um ponto de referências, onde ele vai em busca de sua origem?, como assinalou o escritor e jornalista Álvares Alves de Faria no prefácio de "Mulher Macho, Sim, Senhor!".

A obra é narrada na primeira pessoa, e talvez por isso mesmo, tenha uma forte conotação de memorial. É como se o personagem central, por um fluxo de consciência, trouxesse para o presente um passado distante, porém enraizado, que foi recuperado por um pesaroso exercício de memória de quem foi sua testemunha.

É curioso encontrar no texto o predomínio de palavras que se encaixam perfeitamente em uma reflexão ensaísta, mas que dão à escrita um tom inesperado, pela forma de emprego que recebem. Esses termos lembram, mesmo, o tom de relatório, criando uma escrita que não se situa, perfeitamente, nem na reportagem nem na narrativa nem, tampouco, na crônica, como assinalou o jornalista e artista plástico Carlos Eduardo Scaranci.

Z.A. Feitosa, além de freqüentar o curso de Comunicação Social, mais precisamente Jornalismo Brasileiro e Comparado, é graduado em Administração de Empresas e Ciências Contábeis. Daí não é de se estranhar que a estética de sua obra assuma uma feição tão peculiar.

Z.A. Feitosa consegue, em "O Íntimo Ofício", uma feliz fusão entre a linguagem infantil, da personagem central em sua infância, com a linguagem madura das recordações da mesma personagem, enquanto narradora de sua vida. A mescla obtida, que passa pelo prisma de um e outro tom, dá certa vivacidade ao texto e não permite que se torne linear ou cansativo.

Às vezes, tem-se a sensação de certo imediatismo na composição da obra, mas esse aparente desleixo na tecedura das frases vai se contrastar frontalmente com o certo ritmo da narrativa. Essa particularidade faz com que a escrita de Z.A. Feitosa pareça desigual, mas atraente ao mesmo tempo.

Z.A. Feitosa não se enquadra, facilmente, dentro dos parâmetros da história da literatura brasileira. Até parece que ele traçou, de certo modo, um percurso próprio, caminhando à margem de grupos ou movimentos literários. Todavia, devido à preocupação onisciente da primeira pessoa de transmitir sua impressão mais precisa da personalidade das personagens e de seu contexto social, o livro se aproxima da escola realista literária.

A qualidade de uma obra literária, ou de arte, independe de tempo e escolas. Vale por ela. Seria estimulante saber que Z.A. Feitosa prosseguiria nessa linha, aperfeiçoando seu trabalho, desfiando e, por que não?, até mesmo desafinando sua lira, como sugeriu o jornalista e professor Marcos Barrero, no prefácio da obra "Asas Queimadas".

Publicado no final de 2007, graças ao apoio da Casa Pai Joaquim de Aruanda - CPJA, o livro versa, em suma, sobre impressões da experiência amorosa e sexual, bem como intenta sensibilizar e, sobretudo, estimular o respeito às diferenças e à dignidade da pessoa humana, independente da orientação sexual ou crença religiosa.

A propósito, a CPJA - entidade, fundada em 1977, que professa a fé umbandista - tem como objetivo proporcionar auxílio espiritual, bem como apoiar a publicação de obras que tratam da alma humana e do seu relacionamento com o universo místico, reconhecendo, assim, a importância da dimensão humano no trabalho que se pretende espiritual.

Cabe ressaltar que, ao voltar-se para essa nova frente, que é a co-produção editorial, a Casa Pai Joaquim de Aruanda se tornou, ainda que modestamente, um ponto irradiador de idéias e de promoção do ser humano, por meio do seu apoio ao fazer artístico, pois financia, parcial ou integralmente, os projetos literários, voltados para a promoção e propagação do bem.

Serviços
O íntimo ofício: memórias - Z.A. Feitosa
ISBN 978-85-366-0915-7
Scortecci Editora
Formato 14 x 21 cm - 296 páginas
1ª Edição - Ano 2007
Projeto gráfico: Hiroaki Feitosa
Site do autor: http://www.feitosa.net
Fonte: Casa Pai Joaquim de Aruanda - CPJA
2006/2009 © Z.A. Feitosa, todos os direitos reservados

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Z.A. Feitosa (www.feitosa.net)